Sobre voto e comprometimento.

Em quem vou votar? Qual candidato escolher?
Esta é uma pergunta que tenho feito de dois em dois anos e a resposta sempre foi difícil para mim, seja porque nunca conhecia a maioria dos candidatos, seja porque nunca conhecia as propostas deles, já que aquilo que falam em comícios e o que colocam nos “santinhos” é muito vago ou então, é tão esdrúxulo que dão dá pra levar a sério.

“A ave de Minerva somente alça voo ao entardecer.” (Hegel)

Mas a idade vai aumentando e com ela vem a experiência e, com sorte um pouco de sabedoria (quanta pretensão a minha).
Eleições municipais são muito complicadas, ainda mais para que é servidor público do município. Se você vota em fulano, então é contra beltrano. Se diz que vai votar em beltrano, fulano não vai mais ser teu “amigo”. Pior quando tem um ciclano no meio de tudo.
Mas quando se é servidor público (concursado), não interessa quem ganhe, porque você vai estar lá no ano seguinte, e vocês vão ter que trabalhar juntos, gostando ou não um dos outros.
Na maioria das vezes (?), o candidato a prefeito, ou a vice não vai ficar chateado se você não votou nele. O perigo está naqueles que estão a volta dele e começam dizer: – Joãozinho votou “neles”! Tu vai ajudar esse cara agora. – Ou então falam assim: – Zezinho é do outro lado! Toma cuidado com ele! – E por aí vai…
Não sei o que faz essas pessoas falarem isso. Muitas vezes nem sabem ao certo em quem Joãozinho e Zezinho votaram (o voto é secreto, lembram?): basta que você exerça o direito constitucional de manter segredo sobre seu voto para ser tachado como sendo deste ou daquele lado.

As pessoas não te invejam pelo que você tem, mas pelo que você é.

Mas talvez seja inveja, ciúmes ou, talvez seja medo mesmo. Não sei.
O que as pessoas esquecem às vezes é que, independente de em quem votamos, nós podemos apoiar sim alguém em quem não votamos. Esse apoio não é colocar um adesivo no carro ou uma placa em frente de casa. Esse apoio dura apenas alguns dias. O apoio de que falo dura quatro anos, no mínimo.
Como disse antes: nós concursados vamos estar aqui ano que vem, independente de quem ganhe as eleições, independente de quem seja eleito vereador. Vamos ter que nos ver todos os dias. Vamos ter que trabalhar juntos, porque se isso não acontecer, perco eu, perde você, perde todo o Município. Na verdade, quando um comandante não se relaciona bem com os comandados, quem mais perde é ele (treinadores de futebol que o digam).
Eu tenho uma visão clara das coisas: o que é minha obrigação eu faço, afinal é minha obrigação. Mas o nosso potencial é muito maior que isso e sempre acabamos fazendo mais do que nos é imposto pela atribuição do nosso cargo, e esse algo mais sempre acaba fazendo a diferença para a Administração.
Essa capacidade de fazer algo a mais não pode estar relacionada ao candidato vencedor das eleições, porque se, em vez de ajudar, começar a atrapalhar, vou estar me prejudicando e nem preciso dizer o porquê.
Por isso eu digo, independente do resultado das urnas, nosso dever é fazer o máximo possível para o município pelo simples fato de que entre outras coisas, isso é bom para todos.
Mas voltando a questão inicial de como escolher em quem votar, dois critérios a idade e a experiência me trouxeram: um para prefeito, outro para vereador.
Começo pelo vereador. Candidatos tem a mania de extrapolar aquilo que podem realmente fazer (sem ofensas). Mas vereador tem duas funções apenas: propor e votar leis e fiscalizar o prefeito. Só isso. O resto é estorinha.
Aliás, propor e votar leis e fiscalizar o Executivo já é bastante coisa, que se os vereadores fizerem bem isso, não precisam fazer mais nada que o salário já estará justificado.
Mas antes de tudo, vereador é o representante dos cidadãos. Então, quando você escolhe este ou aquele candidato, você está escolhendo o seu representante. Se você escolhe alguém que responde a “trocentos” processos por dirigir embriagado, ou porte ilegal de armas, ou de ameaça, ou qualquer outra coisa, é esse cara que você quer que te represente. Então pense bem em quem você escolhe, porque aquele candidato, quando estiver falando na tribuna é como se fosse você falando. Esse é o espírito da democracia representativa.
Para prefeito a conversa é outra: prefeito é, de certa forma um representante nosso, mas a principal função dele é fazer com que as demandas da sociedade sejam atendidas.
Nesse sentido, um prefeito precisa, antes de tudo, ter capacidade administrativa. Isto não significa que ele precisa ser formado em Administração ou Ciências Contábeis 😀 ou outro curso superior.
Boas donas-de-casa geralmente são ótimas administradoras, mesmo sem nenhuma formação regular.
É claro que é preciso um certo nível de formação (na minha opinião) porque o prefeito precisa diariamente se deparar com questões complexas ligadas principalmente à legislação e à gestão financeira e orçamentária.
Mas o ponto principal na escolha do prefeito está muito mais nas perspectivas de futuro, e menos no que ele fez no passado. O que ele fez no passado é importante, porque dá indicações do que ele pode fazer no futuro e da capacidade administrativa dele, que é o mais importante para a escolha.

“Quem vive de passado é museu” (dito popular)

Se um candidato já teve três empresas e as três faliram, eu questionaria muito a capacidade de ele administrar o município. Só para citar um exemplo.
Mas o mais importante é o futuro, como já disse. Pergunte-se o que o candidato pode fazer na Administração (não o que ele quer fazer). Veja se o que ele planeja fazer pode ser feito e se isso se alinha com aquilo que você quer.
Infelizmente os programas de governo divulgados nas campanhas são bastante genéricos, mas mesmo assim dão uma interessante indicação sobre a visão dos candidatos (ou de quem vez o plano de governo) sobre o que deve ser feito no município.
Por exemplo, se você tem filhos pequenos, faz sentido votar em quem enfatiza ações na Educação. Se você é idoso, faz sentido votar em quem enfatiza a área da Saúde.
O importante é ver se a visão do candidato se alinha aos teus objetivos e necessidades.
Em resumo, é assim que penso escolher meus candidatos nesta eleição, mas o mais importante é que, em todos os primeiro de janeiro, eu estarei lá trabalhando, disposto a ajudar no que for possível e enquanto achar que vale a pena fazer isso.

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